Resumo: Enquanto grandes empresas ainda discutem estratégias ESG em salas climatizadas, tem gente nas periferias e comunidades fazendo sustentabilidade na marra, no improviso, no dia a dia. Neste texto, mostramos como o ESG já acontece nas quebradas — sem selo, mas com impacto. E por que, talvez, o futuro da sustentabilidade esteja justamente onde ninguém olha.


Sustentabilidade não nasceu na Faria Lima.
E ESG não foi inventado em reunião de comitê.

Se você olhar bem, vai ver que o carrinho de recicláveis da dona Neide, o coletivo de jovens que transforma óleo de cozinha em sabão e o empreendedor que faz marmita com reaproveitamento de alimentos têm mais prática ESG do que muita multinacional com selo verde e discurso ensaiado.


🤝 O ESG da quebrada tem outro nome: corre

Corre pra economizar. Corre pra não desperdiçar. Corre pra ajudar o vizinho.
É ali, onde falta tudo, que nasce a inteligência da escassez.
E dessa inteligência, nasce a sustentabilidade de verdade.

Vamos traduzir isso em ESG?

🌱 E – Environmental

Na quebrada, tudo se aproveita: roupa vira pano, garrafa vira vaso, papelão vira sustento.
Isso é reuso, reciclagem, consumo consciente. Não tem nome bonito, mas tem ação ambiental real.

🧍🏽‍♀️ S – Social

Rede de apoio. Mãe que cuida do filho da outra. Brechó coletivo. Aulas de reforço gratuitas.
Isso é fortalecimento comunitário, equidade, inclusão — o S do ESG brota ali, naturalmente.

🧠 G – Governança

A governança na quebrada é horizontal: a vó que organiza a feira, o jovem que faz vaquinha no Pix, o líder comunitário que fiscaliza obra pública.
É outra lógica, mas com o mesmo objetivo: decidir com responsabilidade e transparência.


🔄 ESG na quebrada não é projeto: é vivência

E talvez seja hora do mundo corporativo parar de “ensinar” sustentabilidade e começar a ouvir quem já pratica há décadas, com muito menos recurso — mas com muito mais verdade.


“A quebrada sempre sustentou. Só não chamava de sustentabilidade.”
Paula Alecio, com orgulho periférico…


📚 Referência bibliográfica:
SILVA, Regina; COSTA, José Cláudio. Sustentabilidade e periferias: práticas populares e saberes invisibilizados. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2021.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Nova York: ONU, 2015.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *